Com os investimentos estrangeiros, o rombo das contas externas reduziu no primeiro trimestre deste ano de 2021
De acordo com o Banco Central, houve um avanço de 40% de capital externo. O governo afirma que esta queda tem relação com os gastos no exterior, além da redução nas remessas de lucros fora do Brasil.
Para o diretor executivo da Instituição Fiscal Independente, Felipe Scudeler Salto, a dívida externa não preocupa. O grande desafio é a dívida interna. “Mais o que a gente precisa ter claro é que os problemas de solvência, digamos assim, que no passado foram muitos concentrados no balanço de pagamentos, nas contas externas, hoje, estão voltados para a questão interna. A nossa dívida pública é muito alta e crescente. Esse vai ser o grande desafio”, salienta.
O economista lembra que este quadro da falta de equilíbrio já vinha ocorrendo, mesmo antes da pandemia. Segundo, Felipe Salto, o problema do Brasil continua sendo as finanças públicas, o tamanho do gasto público, a qualidade, a capacidade de arrecadação e o baixo crescimento econômico. “Nós já tínhamos uma dívida alta e crescente em relação ao PIB e quando a crise chegou, obviamente o estado teve que responder com um aumento de despesas. O mundo inteiro fez isso. Mas nós não estamos preparando o futuro. Como que nós vamos conseguir manter a responsabilidade fiscal?
Voltar a uma trajetória de equilíbrio da relação dívida-PIB, para que o Brasil consiga ter crescimento econômico sustentável durante um bom tempo depois que toda essa tempestade passar”, questiona. Com referência à entrada de capital estrangeiro no Brasil, Felipe Salto afirma que o governo não pode se apegar a isso. É necessário deixar a barba de molho, porque os problemas estruturais continuam sendo os mesmos. “É positiva. É um dado a ser destacado, mas é muito volátil.
Então, a gente precisa ter cuidado para não achar que pode ser uma tendência. Só vai ser uma tendência se, de fato, houver uma melhora do ambiente geral da economia. Uma estabilidade na questão política. E se nós conseguirmos dirimir esses riscos que estão turvando hoje o cenário para os investidores”. O economista acredita que depois que uma grande parcela da população brasileira estiver vacinada, o cenário pode melhorar. O Banco Central informou que os investimentos estrangeiros no Brasil chegaram a US$ 17.709 bilhões nos três primeiros meses deste ano, registrando um aumento de 40,3% se comparado com o de 2020.
Por Luis Ricardo Machado
Fonte: Rede de Notícias Regional /Brasília
Crédito da foto: Jefferson Rudy/Agência Senado