Angela Maria Rosanelli, 21 anos, detalha a
recuperação após quase quatro meses do ocorrido
São apenas alguns metros que separam a casa de Angela Maria Rosanelli, 21 anos, do local de trabalho do marido. Era 29 de janeiro deste ano. Angela chegou em casa, no final da tarde, após um dia intenso de trabalho. Ela atua como agente comunitária de saúde nas comunidades de Santa Clara e Linha Abati. Após dar banho na filha Estela, de 2 anos, percebeu que começou a garoar. Por volta das 18h horas resolveu pegar o carro que havia comprado há cerca de um mês, um Ford Escort placas BGW-8747, para buscar o marido que trabalha como mecânico em uma empresa no Distrito Industrial.
Para chegar ao trabalho do marido é preciso cruzar a movimentada e perigosa BR-282, um tapete negro onde diariamente circulam milhares de veículos. Antes do carro Angela tinha uma moto, a qual foi substituída devido à necessidade que o trabalho e os deslocamentos exigiam, ainda mais com uma filha pequena. A casa de Angela fica no final de uma estrada de terra na margem direita da rodovia (sentido Catanduvas/Joaçaba). Ao lado uma imensa torre de telefonia celular. A mãe pegou a filha, acomodou-a na cadeirinha no banco traseiro, pensou em levar também o cachorrinho de estimação, mas desistiu porque o animal estava todo sujo de barro.
A vivacidade da criança e a curiosidade fizeram com que ela, atraída pela cor vermelha intensa do dispositivo que trava o cinto de segurança da cadeirinha abrisse, sem que a mãe percebesse. O Escort para no trevo, em seguida sente um forte impacto na lateral direita do carro. O sacolejar do carro arremessa a criança para a frente do carro, indo parar entre os dois bancos. Consciente, ela sentiu um misto de dor e aflição por ver a filha daquele jeito. A parte posterior da cabeça sangrava, e à medida que o sangue jorrava aumentava a angústia da mãe. Um vizinho, ao ouvir o estrondo, foi o primeiro a chegar. Foi ele quem pegou a criança e deu a um casal que imediatamente se dirigiu ao hospital. Sem poder se mexer, Angela ficou à espera de socorro que foi feito pelo Corpo de Bombeiros e SAMU, enquanto a Polícia Militar orientava o trânsito que já ficava lento, até a chegada da Polícia Rodoviária Federal.
Em poucos minutos muitos curiosos foram aglomerando. O outro carro envolvido no acidente foi um Fiat Stilo com placas de Videira. O motorista, de 38 anos, seguia de Joaçaba para Catanduvas, onde mora. A batida foi tão violenta que o Escort foi parar do outro lado da pista num distância aproximada de 50 metros e o Stilo capotou. O condutor do Stilo nada sofreu. Ele fez o teste do bafômetro que não acusou ingestão de álcool. A partir daí começou um drama na família de Angela. A filha permaneceu por 13 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional Oeste em Chapecó. Além da pancada na cabeça, ela sofreu fraturas nas duas pernas e pneumonia, que a levaram a ficar outros oito dias na pediatria do hospital. Angela teve fratura de fêmur e tíbia. Ela ficou internada por nove dias e já passou por duas cirurgias. A terceira que será necessária é para a retirada do fixador de cerca de 30 centímetros de comprimento colocado na tíbia.
De muletas, Angela recebeu o jornalista Michel Teixeira em sua casa na tarde desta terça-feira (13), quase quatro meses depois do ocorrido. Vez por outra, com os olhos marejados e a voz embargada, Angela consegue força para relembrar o ocorrido, ao lado da mãe e da filha, que após um tempo com as pernas engessadas e sessões semanais de fisioterapia, já consegue caminhar. Angela teve que ficar um mês de cama, sem se movimentar. A fisioterapia iniciará após a retirada do fixador, que, inevitavelmente, chama a atenção de quem observa.
A força de vontade e motivação são visíveis nas expressões e nas palavras da jovem agente comunitária de saúde. Os curativos que eram frequentes foram dispensados. A aproximação da ambulância que levava a equipe de enfermagem à sua casa não acontece mais. O Escort teve perda total. O monte de ferro retorcido repousa nos fundos da residência de dois andares, o primeiro onde Angela mora e o segundo a mãe dela.
Angela retornou há três semanas aos estudos. Ela cursa Ciências Biológicas na Unoesc. A frequência, inicialmente, é de três vezes por semana. Algumas disciplinas precisaram ser trancadas, mas é um avanço para quem no início precisava assistir às aulas em uma cadeira de rodas. “Tem dias que eu sinto bastante dor”, comenta. Angela não lembra como aconteceu o acidente. Ela recorda que a visibilidade era boa, e que sentiu apenas o solavanco no carro.
Ela admite que dirigia há pouco tempo. Angela faz questão de ressaltar que o atendimento no Hospital Universitário Santa Terezinha foi “muito bom”. Ela teve acompanhamento de psicóloga para superar a angústia de ficar afastada da filha por longos 16 dias. “Voltar para casa foi mais difícil, triste, sem ver ela [filha]”. Durante a internação, a maca em que Angela estava não passava na porta, o que a impedia de poder ir até a filha. O jeito foi levar, quando possível, a filha até a mãe. O motorista do carro envolvido no acidente, segundo Angela, é atencioso com ela. Ela inclusive já a visitou e, casualmente, se encontraram na rua nesta segunda-feira em Catanduvas.
Angela atua no ESF da Vila Remor. Uma de suas maiores vontades é de voltar a trabalhar. O último domingo, Dia das Mães, foi muito comemorado por ela estar viva com a filha bem em seus braços. O passatempo atual é a filha, televisão, internet e a faculdade enquanto aguarda a data da terceira cirurgia para retirada do fixador, e assim, tentar volta à rotina de antes. “Aos poucos estou perdendo o trauma de passar no trevo”, ressalta enquanto o cachorrinho de estimação corre ao redor de casa carregando entre os dentes sapatos e chinelos sob o olhar da pequena Estela e a alegria de Angela.
Angela Maria Rosanelli fala sobre
a recuperação e deixa uma mensagem:
Fonte: Rádio Catarinense
recuperação após quase quatro meses do ocorrido
São apenas alguns metros que separam a casa de Angela Maria Rosanelli, 21 anos, do local de trabalho do marido. Era 29 de janeiro deste ano. Angela chegou em casa, no final da tarde, após um dia intenso de trabalho. Ela atua como agente comunitária de saúde nas comunidades de Santa Clara e Linha Abati. Após dar banho na filha Estela, de 2 anos, percebeu que começou a garoar. Por volta das 18h horas resolveu pegar o carro que havia comprado há cerca de um mês, um Ford Escort placas BGW-8747, para buscar o marido que trabalha como mecânico em uma empresa no Distrito Industrial.
Para chegar ao trabalho do marido é preciso cruzar a movimentada e perigosa BR-282, um tapete negro onde diariamente circulam milhares de veículos. Antes do carro Angela tinha uma moto, a qual foi substituída devido à necessidade que o trabalho e os deslocamentos exigiam, ainda mais com uma filha pequena. A casa de Angela fica no final de uma estrada de terra na margem direita da rodovia (sentido Catanduvas/Joaçaba). Ao lado uma imensa torre de telefonia celular. A mãe pegou a filha, acomodou-a na cadeirinha no banco traseiro, pensou em levar também o cachorrinho de estimação, mas desistiu porque o animal estava todo sujo de barro.
A vivacidade da criança e a curiosidade fizeram com que ela, atraída pela cor vermelha intensa do dispositivo que trava o cinto de segurança da cadeirinha abrisse, sem que a mãe percebesse. O Escort para no trevo, em seguida sente um forte impacto na lateral direita do carro. O sacolejar do carro arremessa a criança para a frente do carro, indo parar entre os dois bancos. Consciente, ela sentiu um misto de dor e aflição por ver a filha daquele jeito. A parte posterior da cabeça sangrava, e à medida que o sangue jorrava aumentava a angústia da mãe. Um vizinho, ao ouvir o estrondo, foi o primeiro a chegar. Foi ele quem pegou a criança e deu a um casal que imediatamente se dirigiu ao hospital. Sem poder se mexer, Angela ficou à espera de socorro que foi feito pelo Corpo de Bombeiros e SAMU, enquanto a Polícia Militar orientava o trânsito que já ficava lento, até a chegada da Polícia Rodoviária Federal.
Em poucos minutos muitos curiosos foram aglomerando. O outro carro envolvido no acidente foi um Fiat Stilo com placas de Videira. O motorista, de 38 anos, seguia de Joaçaba para Catanduvas, onde mora. A batida foi tão violenta que o Escort foi parar do outro lado da pista num distância aproximada de 50 metros e o Stilo capotou. O condutor do Stilo nada sofreu. Ele fez o teste do bafômetro que não acusou ingestão de álcool. A partir daí começou um drama na família de Angela. A filha permaneceu por 13 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional Oeste em Chapecó. Além da pancada na cabeça, ela sofreu fraturas nas duas pernas e pneumonia, que a levaram a ficar outros oito dias na pediatria do hospital. Angela teve fratura de fêmur e tíbia. Ela ficou internada por nove dias e já passou por duas cirurgias. A terceira que será necessária é para a retirada do fixador de cerca de 30 centímetros de comprimento colocado na tíbia.
De muletas, Angela recebeu o jornalista Michel Teixeira em sua casa na tarde desta terça-feira (13), quase quatro meses depois do ocorrido. Vez por outra, com os olhos marejados e a voz embargada, Angela consegue força para relembrar o ocorrido, ao lado da mãe e da filha, que após um tempo com as pernas engessadas e sessões semanais de fisioterapia, já consegue caminhar. Angela teve que ficar um mês de cama, sem se movimentar. A fisioterapia iniciará após a retirada do fixador, que, inevitavelmente, chama a atenção de quem observa.
A força de vontade e motivação são visíveis nas expressões e nas palavras da jovem agente comunitária de saúde. Os curativos que eram frequentes foram dispensados. A aproximação da ambulância que levava a equipe de enfermagem à sua casa não acontece mais. O Escort teve perda total. O monte de ferro retorcido repousa nos fundos da residência de dois andares, o primeiro onde Angela mora e o segundo a mãe dela.
Angela retornou há três semanas aos estudos. Ela cursa Ciências Biológicas na Unoesc. A frequência, inicialmente, é de três vezes por semana. Algumas disciplinas precisaram ser trancadas, mas é um avanço para quem no início precisava assistir às aulas em uma cadeira de rodas. “Tem dias que eu sinto bastante dor”, comenta. Angela não lembra como aconteceu o acidente. Ela recorda que a visibilidade era boa, e que sentiu apenas o solavanco no carro.
Ela admite que dirigia há pouco tempo. Angela faz questão de ressaltar que o atendimento no Hospital Universitário Santa Terezinha foi “muito bom”. Ela teve acompanhamento de psicóloga para superar a angústia de ficar afastada da filha por longos 16 dias. “Voltar para casa foi mais difícil, triste, sem ver ela [filha]”. Durante a internação, a maca em que Angela estava não passava na porta, o que a impedia de poder ir até a filha. O jeito foi levar, quando possível, a filha até a mãe. O motorista do carro envolvido no acidente, segundo Angela, é atencioso com ela. Ela inclusive já a visitou e, casualmente, se encontraram na rua nesta segunda-feira em Catanduvas.
Angela atua no ESF da Vila Remor. Uma de suas maiores vontades é de voltar a trabalhar. O último domingo, Dia das Mães, foi muito comemorado por ela estar viva com a filha bem em seus braços. O passatempo atual é a filha, televisão, internet e a faculdade enquanto aguarda a data da terceira cirurgia para retirada do fixador, e assim, tentar volta à rotina de antes. “Aos poucos estou perdendo o trauma de passar no trevo”, ressalta enquanto o cachorrinho de estimação corre ao redor de casa carregando entre os dentes sapatos e chinelos sob o olhar da pequena Estela e a alegria de Angela.
Angela Maria Rosanelli fala sobre
a recuperação e deixa uma mensagem:
Fonte: Rádio Catarinense